quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Iluminação - E depois?

Mas, depois da Iluminação, o que acontece? Após a Iluminação, experienciamos a aventura do Grande Bodhisattva. Este é o mundo mais maravilhoso de todos. Mas, depois disso, o praticante consumado deve se separar do Ch’an, e ser aquilo que estudou para se formar: uma pessoa que parece ser bastante comum, apenas uma face a mais na multidão. Quem desconfiaria que essa face é uma Face Original? Ninguém poderia supor simplesmente olhando para ela. E assim, o problema final que o praticante encontra é, de fato, entrar no Vazio, sobre o qual os estudantes iniciantes gostam de teorizar. Ele deve atingir a “não-mente”. Ao invés de proceder em uma direção, ele deve se expandir em todas as direções ou, como diria Hanshan: “até o infinito”. O Ch’an é um poste escorregadio de trinta metros. É difícil subir. Mas, uma vez que o praticante encontre um modo de alcançar o topo, o que fazer em seguida? Ele o abandona. Ele dá um salto no espaço vazio. Ele não se apega ao Ch’an. Ele descobriu o que significa o sem ego. Mas agora ele deve viver os resultados dessa descoberta. Suas ações não podem ser deliberadas ou planejadas. E, assim, ele atinge a espontaneidade e se torna um com a realidade. Não há mais necessidade de esforço. Hsu Yun (em “Nuvem Vazia: Os Ensinamentos de Hsu Yun”)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

POESIA DESTES TEMPOS MALUCOS.

Eu espero que esta proposta não te soe à tôa, mas que te toque com a urgência de quem vê um cometa caindo na terra e doa. Doa pelo tempo perdido, mas não doa pela espera necessária de quem tem na utopia sua mais pura referência para quebrar um sistema de engrenagens velhas. Espero que esta mensagem lhe alcance ainda soprando vida neste pulso acelerado, ansioso por algo novo, que seja uma esperança. E lhe peço que não desista, não antes de receber esta poesia e come-la toda como quem devora um maravilhoso prato de sopa. Espero que se junte a mim, através destes versos, que de alguma maneira seja um fio que nos liga a um Universo onde o amor é verdadeiro e o único templo seja nossos corpos. Espero que essas poucas palavras percorram sua alma e que ela enxergue por trás desta confusão toda uma pequena arroba de felicidade.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Religião e ateísmo

Devido à intolerância religiosa, especialmente dos fundamentalistas, surgiu uma outra classe tão intolerante quanto, que é a dos ativistas do ateismo, que se julgam superiores e são tão dogmáticos quanto aqueles primeiros, num outro extremo da balança. Dizem, por exemplo, que as religiões mataram milhões na história, o que é verdade, mas se esquecem que o ateísmo matou tanto quanto ou mais. Stalin e Mao eram ateus. A bomba atômica sobre Hiroshima e Nagazaki não foi propriamente religiosa, como não foi a invasão do iraque , da Líbia e da Síria, como não foram as guerras do Vietnã e da Coréia.... Ser ateu não faz ninguém superior a ninguém nem menos alienado,especialmente quando se faz do ateísmo um dogma.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Reencarnação - ensinando crianças.

- Pai, por que tem gente muito rica e gente muito pobre? - Por um monte de coisa e porque Deus permite. - Por que uns nascem com deficiência e outros não? - Por um monte de coisa e porque Deus permite. - Por que tem gente ruim e gente boa? - Por um monte de coisa e porque Deus permite. - Por que Deus quer que muita gente sofra? - Para aprender. As vezes, as pessoas só aprendem com sofrimento. - Então gente feliz, normal e rica é tudo gente boa, que não têm pecados? - Nem sempre, tem os que são gente boa, com poucos pecados, e tem os que não são e têm muitos pecados. - E os que não são gente boa, com muitos pecados, por que são ricos e felizes? - Eles podem ser ricos, mas não felizes. - Por que podem ser ricos? - Tem gente ruim rica, porque Deus permite. - Então Deus não é sempre justo? - Deus é justo sempre, mas a gente não consegue entender tudo. - Então, Deus é também misterioso. - Sim, além da nossa compreensão. - A gente pode acreditar no que a gente não entende? - Claro, a fé é isso. - E se a gente não acreditar em Deus, ele castiga a gente? - Não, Deus quer que a gente seja feliz. - Feliz, normal e rico? - Feliz, seja como for. - Alguém aleijado ou pobre pode ser feliz? - Sim, claro. - Mas tudo é Deus que faz ou os homens fazem coisas também? - Claro que os homens fazem coisas. - Como permitir que alguém seja pobre? - Sim, se os homens quisessem não haveria pobres. - Então, os homens têm liberdade para escolher? - Sim, têm sim, senão seríamos robôs de Deus. - Então, os homens construíram um mundo injusto? - Sim. - E isso não é pecado? - Sim. - Então, tem gente que ajuda a fazer um mundo injusto e outros que lutam pela justiça? - Sim. - Por que? - Por causa do egoísmo, uns não ligam para os outros, só pensam em si mesmos. - E o que Deus faz com essas pessoas? - Elas mesmas é que fazem. Vão ter que aprender a serem justas, a terem amor pelo próximo. - E se morrerem sem aprender? Vão para o inferno? - Vão para onde têm que ir, para se arrependerem e aprenderem. Podem ir para um lugar triste, mas depois que aprenderem um pouco, vão para um lugar bom. - Aonde? Para o céu? - Para um lugar bom, alguns chamam de céu. - E ficam lá pra sempre? - Não, um dia voltam para a Terra. - Para quê? - Pra aprender o que falta para se tornarem pessoas boas e justas. - Então, já vivemos muitas vidas aqui? - Sim. - Então, a gente nunca morre de verdade? - Não. - A vida é sempre aprender? - Sim. - Obrigado, Pai.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A volta de Jesus!

E SE JESUS VOLTASSE? SERIA UM PEGA PRA CAPAR. É muito fácil falar bem de Jesus, à distância, vendo-o a partir de uma história longínquua de há mais de 2 mil anos. E se ele estivesse aqui hoje? Seria certamente chamado de agitador social, que vive defendendo o direito das minorias, dos pobres, que crticaria as “Romas” e os “romanos” de hoje, um sujeito imoral que diria para abandonar pai e mãe, um louco que se julgaria Deus, um maníaco que viveria querendo expulsar vendilhões de milhões de templos, chamando religiosos de hipócritas, desafiando os poderes dos “césares” atuais. Diriam pra ele, comunistinha de merda, ir pra Cuba e depois achariam um modo de prendê-lo e matá-lo. Então, séculos depois, fariam uma religião em seu nome, e cometeriam milhares de crime dali em diante, tendo a igreja como escudo. Seu nome passaria a ser uma marca de altíssimo valor, que venderia todo tipo de objetos, livros, bugigangas, e as igrejas e seus líderes seriam riquíssimos, com um número cada vez maior de novas facções, que venderiam carnês e pediriam dízimos e ofertas especiais para a igreja, para a salvação, dizendo que é dando que se recebe e se prova a fé, fazendo de muitos sacerdotes ou bispos pessoas milionárias pelo mundo. A maioria dos que pedem ou anunciam sua volta querem tudo, menos que ele volte.

sábado, 13 de agosto de 2016

Trabalho

Trabalho é fazer o que se gosta, senão é apenas esforço Trabalho é profissão, mas é também condição, dignidade Trabalho é autoanálise diária, esculpir a si mesmo a cada instante Trabalho é aprender a enxergar o outro, além de si mesmo Trabalho é interrelação constante, aprender a arte de estar com Trabalho é saber que estar só não precisa ser solidão Trabalho é entrar em contato consigo mesmo, vendo que o si mesmo não é o que se pensava Trabalho é enxergar com a mente e o coração e chegar à intuição Trabalho é ir além das palavras, compreender os gestos e o olhar Trabalho é não ser mais mercadoria nem apenas público-alvo Trabalho é não ser estatística Trabalho é aprender a domar-se Trabalho é descobrir que há hora para tudo, até para Baco Trabalho é dividir o tempo entre Apolo e Dionísio Trabalho é saber curtir o lazer senão perde o sentido Trabalho é apaixona-se pelo trabalho sem perder a paixão por tudo que vale a pena Trabalho é se ver um grão de areia no Universo e o próprio Universo inteiro Trabalho é receber bem pelo trabalho senão é escravidão remunerada Trabalho é não se sentir trabalhando mas crescendo enquanto se trabalha Trabalho é não se render nunca por apenas dinheiro sem abrir mão do necessário Trabalho é o que se menos pratica e é do que mais se fala

Perder a ilusão

Quando se perde a ilusão ganha-se a lucidez Quando se perde uma paixão ganha-se olhos de ver Quando se perde o querer ter razão ganha-se a evolução Quando se perde o status ganha-se amigos verdadeiros Quando se perde o chão ganha-se um novo terreno Quando se perde a religião ganha-se a consciência do eu verdadeiro Quando se perde na multidão ganha-se a si mesmo Quando se perde a beleza ganha-se a verdade na relação Quando se perde um amor ganha-se a promessa de um amor verdadeiro Quando se perde um herói ou heroína ganha-se o poder de ver além das maścaras Quando se perde um amigo, ganha-se o saber do que é um amigo Quando se perde a mania de olhar somente o próprio umbigo ganha-se o universo inteiro