terça-feira, 23 de outubro de 2012

O resgate.

Viva o resgate da mãe sagrada Terra, o resgate do feminino depois de tantos estupros não só a natureza das coisas, mas à natureza de todos nós, ressacralizando a vida, os rios, os mares, a floresta, todos os seres, todos os credos, todos as luzes, a dignidade de sermos parte e não ä parte, todas as raças, todos os povos, tudo isso acontecendo aqui mais do que em qualquer outro lugar, do Brasil para o mundo, espalhando esta seiva de Luz.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Entre

Entre linhas, entre espaços, entre pontos, entre palavras, entre pensamentos, entre fatos, entre verdades, entre mentiras, entre aspectos, entre filosofias, entre religiões, entre culturas, entre meditações, entre.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A cosnsciência não é a mente. Para os yogues, diferentemente do que diz a psicologia ocidental, a Consciência é o nosso verdadeiro Eu, que é pleno, absoluto, Divino. O corpo sutil (mente, intelecto e prāna) funciona como veículo de manifestação do indivíduo, necessário para o nosso funcionamento na vida, nosso “palco” de experiências e relações. Esse corpo sutil, não visível nem palpável, possui “coberturas”que restringem e limitam nossa visão de quem realmente somos, escondendo, aparentemente, o nosso Eu verdadeiro. Essas “coberturas” revestem a Consciência e se interpõem entre ela e os níveis de experiência que o ser humano é capaz de vivenciar em todos os momentos de sua existência. Contudo, elas são necessárias, pois é através desses veículos que ocorre a ligação e transmissão das experiências e sensações do mundo exterior para o mundo interior, mais intuitivo. Os antigos sábios nos dizem que é pelo corpo sutil que trazemos os instintos herdados dos nossos antepassados, os condicionamentos adquiridos na infância, as sensações conscientes e o inconsciente coletivo. A mente definitivamente não é Consciência, não é imutável e Absoluta, ou seja, ela pode ser transformada para evoluir. Assim, é possível concluir que não conseguimos alterar a cor da nossa pele, mas podemos abrir os olhos, reconhecer e, se assim desejarmos, alterar nossas heranças mentais. O Yoga nos indica várias ferramentas para mantermos nossa saúde física e mental em dia, como a prática de āsanas, prānāyāmas e meditação. Com a saúde em equilíbrio, podemos então mergulhar no questionamento de quem somos para nos aprofundarmos na observação, separação e desapego dessas tendências mentais, deixando de ser escravos delas. Maturidade é viver sem buscar responsáveis ou culpados pela nossa condição psicoemocional, mas sermos capazes de caminhar com as nossas próprias pernas, deixando de ser sombras dos nossos passados para nos tornarmos construtores da estrada que nos levará a encontrar a nossa própria Luz.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

No caminho

O caminho da espiritualidade, com frequencia, começa pra valer quando ficamos sem chão e sem saîda, reconhecendo humildemente que precisamos de ajuda e, mais do que isso, vamos atrás dela. Aí começa uma jornada de intenso mergulho em nós mesmos, de reconhecimento dos nossos defeitos e qualidades, de reconhecer a verdade e afastar as fantasias que fazíamos sobre nós mesmos, o que é um trabalho duro, árduo, que exige muita coragem, mas quando a dor é grande e esta passa a ser a única saída, enfrentamos em nome da própria sobrevivência. Se fugimos, nos perdemos mais ainda e o resultado, sabemos, pode ser catastrófico. Pena que muitos acabam optando por isso. Mas quem opta pelo enfrentamento da verdade, sofre, sofre muito, mads lentamente, a cada dia, vai recebendo mais luz e as coisas começam a entrar nos eixos, e vamos nos aproximando degrau a degrau do centro de nós mesmos. Um salto quântico de luz pode ocorrer também, mas não é o costumeiro. Enfim, da dor e da humildade forçada, vai nascendo uma nova pessoa, um renascimento de iniciação. Agora sim, sabemos que, ao menos, vencemos aquela etapa. Reconhecemos que a fé, o mergulho em si mesmo, a honestidade diante do espelho da alma é fundamental para irmos adiante. Com o ego mais domado, abre-se o caminho para o Eu Superior dentro de nós. Cada um à sua maneira, com seu tom, sua nota, passa por isso e segue em frente do seu modo.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O melhor texto de todos os tempos

A Carta do Cacique Seattle, em 1855 Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já 147 anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta: "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem. Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo. Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende. Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro. Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra. Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso. De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência. Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."