sexta-feira, 26 de julho de 2013

Grande Mistério...

Existe um tempo para tudo, como o tempo de deixar o passado, para que o novo possa chegar e ampliar a nossa consciência. A nova religiosidade que se inicia neste caminho, é mais do que ecumênica, pois não apenas reúne ou engloba todas as religiões, mas transcende-as na medida que as transforma e vai sendo construída sem fórmulas definidas nem cartilhas absolutistas. Não chama a Deus de apenas Pai, mas de Mãe também. Sacraliza todas as formas de vida, todos os seres, todos os elementos. Não se limita a nenhum grupo ou seita, não aceita dogmas, se une à ciência e à filosofia. E vai além, rumo ao Grande Mistério. Não concebe Deus, portanto, atrelado a qualquer religião. Não o considera como um ser pessoal, ou seja, não cria Deus a partir de conceitos humanos e limitados, não o adjetiva. Tem Ele como a fonte de tudo que interpenetra tudo e não o diferencia conforme as crenças de cada um. Não o separa dos avanços científicos, não o determina de nenhuma forma, não o limita ao tempo nem ao espaço, está em nós, dentro e fora, além de qualquer dualidade, mas sempre acessível, pois Ele está em Nós, indistintamente. Descobrirmo-nos é descobri-lo, conhecermo-nos é conhecê-lo. Sabê-lo em tudo e em todos é o único princípio, meio e fim. Despertar é saber e viver Isso.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Centro de Nós Mesmos

O círculo ou quase círculo, nas galáxias, nas estrelas, nas órbitas planetárias, nas engrenagens, na roda dos carros, nas panelas dos fogões, nos botões de todas as espécies, no giro do relógio, nas espirais da estações, nos lembra de que em tudo e em todos há um centro, onde somos fortes, onde de fato somos nós mesmos, um círculo que reflete o círculo divino, cujo centro está em toda parte e sua circunferência não está em parte alguma. Ele está lá, o tempo todo. O centro de nós mesmos é um lugar que está além do consciente normal, assim como a sombra, mas está além dela, e poderíamos chamá-lo de completude que tudo abrange, mas vai mais além ainda, entrando no terreno do Grande Mistério. Não há regras nem dicas consistentes para acessá-lo. Lembra um insight, uma saída da matrix, mas não podemos defini-lo assim, nem de nenhum modo. Podemos falar dele, fazer considerações à sua borda, saber da sua existência, e vivê-lo quando em silêncio, e meditação profunda, ou de repente, de modo inesperado. Sim, não há fórmulas mágicas, nem livro de auto ajuda para conhecer o Centro de Nós Mesmos. Mas, assim como o círculo, ele está sempre presente em tudo e em todos, em nós mesmos, em uma consciência e inconsciência não local.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Abraçar a Sombra é o caminho para a verdadeira felicidade

Medite sobre o que mais o incomoda em relação às pessoas. Não aspectos superficiais, mas algo que realmente você abomine, odeie. Talvez seja ingratidão, traição, injustiça, ciúme, medo ou impaciência. Reflita. Você já pensou por que odeia isso? Agora espero de você muita coragem. Será que aquilo que o incomoda em relação aos outros não é algo que está aí, escondido dentro da sua mente? Talvez tão escondido que agora esteja inconsciente? Jung dizia: "Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a um conhecimento de nós mesmos". Vamos mais fundo nessa questão. Toda criança é total ao nascer. É inteira, mas no decorrer da vida começa a se dividir. Ela é influenciada pela sociedade, pela religião e pela família, começando a negar algumas características consideradas más. É a qualidade, o jogo do que é bom ou mau. Com a chegada da maturidade, ela já negou muito de sua personalidade real. Esconde uma parte de si, acha pecado, errado e sujo algo que é dela, e tudo o que é rejeitado fica escondido ou guardado no inconsciente. Isso se chama sombra, é tudo o que negamos na busca absurda de sermos perfeitos para os outros, com um eu ideal. Um exemplo é a história O médico e o monstro, do Dr. Jekill e Mr. Hyde. Dentro do bondoso médico ficava escondida a sua sombra, como o monstro, Mr. Hyde. Também encontramos exemplo da sombra no livro O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. O jovem Dorian faz um pacto com o diabo para sempre ter uma beleza impecável e assim todos seus traços de envelhecimento físico além de egoísmo, obsessões, crueldade, cinismo seriam transferidos para um retrato de sua imagem jovem e perfeita. Esse retrato é guardado e ninguém o vê, a não ser Dorian, quando curioso, e ele vê o retrato cada vez mais feio, repugnante e cada dia mais velho. Assim é a nossa sombra. Como Dorian, desejamos mostrar uma face harmoniosa, amável, inteligente, e escondemos os nossos verdadeiros sentimentos, aqueles dos quais você se envergonha. É claro que devemos procurar preservar de nossa sombra as pessoas com quem nos relacionamos, senão criaremos confusões todo o tempo. O que não podemos é negá-la para nós mesmos, até porque ela possui aspectos muito positivos. Todos temos uma máscara, que é a imagem que passamos para o mundo. Na astrologia nós a chamamos de ascendente, que é como as pessoas nos vêem, é nosso impulso, a personalidade adquirida com a vida e por meio da qual transmitimos aquilo que temos de melhor. Chama-se persona na psicologia e é como gostaríamos que todos nos reconhecessem. Por exemplo: no namoro superficial colocamos nossa persona, enquanto num relacionamento mais profundo acabamos por mostrar nossa sombra. Fazemos com que nosso eu se divida em três partes: o "eu perdido" - tudo o que reprimimos para agradar "aos outros"; o "falso eu" - a imagem que criamos para agradar "aos outros"; o "eu negado" - a parte que "os outros" nos ensinaram ser negativa e por isso é negada. São exemplos: egoísmo, raiva, desejos sexuais (reprimidos), vingança, "erros do passado", culpa (que não cria nada), traição, falsidade, desejo de poder, mentiras, nossas brigas com Deus / Deusa, "pecados", vergonha, etc. É provável que você tenha a maioria dessas características e outras mais. E não é só você. Todos são assim. Reconheça isso. Jung sabia que a sombra é perigosa quando não reconhecida, pois projetamos nossos aspectos destrutivos no mundo e nos outros e somos inteiramente escravos dela até que domine nossa mente e passemos a pulsar somente ódio, tristeza, julgamentos, dor, reclamações, etc. Começamos a ver defeitos em todas as pessoas, julgamos e enxergamos a sombra de nosso vizinho, da religião que não seja a nossa, de outra cultura, mas não vemos nossa sombra. Muitas das "guerras espirituais" ou "religiosas" acontecem exatamente por isso. Vemos trevas em tudo e essas trevas são projeções do que temos em nosso interior. Atos impulsivos que depois geram arrependimento. Situações em que se humilham os outros. Raiva exagerada em relação aos erros alheios. Depressão quando se olha para dentro. Francisco de Assis era sombra e luz, mas escolheu o caminho de luz; Hitler era sombra e luz, mas escolheu o caminho da sombra. Hitler tinha a semente de Francisco, mas Hitler se tornou Hitler. Francisco tinha a semente de Hitler, mas se tornou Francisco. Francisco trabalhou sua sombra e tornou-se um mestre, que é ícone de compaixão, tolerância e amor à vida. Esse é um trabalho para toda a vida e, como recompensa, nos permite perdoar aos outros e a nós mesmos pelo que achamos mau, pois a compaixão e a tolerância iniciam-se conosco e expandem-se para o próximo. A sombra é muito primitiva. Vem de um passado remoto, desde, talvez, o surgimento dos hominídeos. Está em nossa mente e corpo e é chamada também de memes. No livro O gene egoísta, Richard Dawkins diz que os memes são "núcleos de informação ou energia que têm vida própria, irradiam comandos, instruções, programas culturais e normas sociais para as pessoas" e se transmitem por meio de cultura, fofoca, religião, livros, filmes e tudo o que contribui para aumentar nossa sombra individual e cultural. A fofoca talvez seja um dos piores memes - a fofoca de dentro, a fofoca de fora. O meme é algo tão poderoso que irradia sua influência de uma mente para outra de forma quase instantânea. É assim que as idéias se propagam. Da mesma forma como os genes estão para a genética, os memes estão para a memética. E assim como o DNA é o replicados biológico, o meme é o replicados cultural. Ideias sombrias e limitadas podem ser ensinadas pela escola (que também tem um lado sombrio): O jornal Philadelphia Inquirer de 11 de junho de 1988 informava: A União Soviética, declarando que os manuais de História ensinaram a gerações de crianças soviéticas mentiras que envenenaram suas "mentes e almas", anunciou ontem o cancelamento dos exames finais de História para mais de 53 milhões de estudantes. Ao anunciar o cancelamento, o jornal oficial Isvestia informou que a extraordinária decisão visava pôr um término à transmissão de mentiras de uma geração para outra, processo esse que consolidou o sistema político e econômico stalinista que a atual liderança pretende encerrar. "A culpa daqueles que iludiram uma geração após outra... é imensurável", declara o jornal num comentário de primeira página. "Hoje estamos colhendo os frutos amargos da nossa própria lassidão moral. Estamos pagando por termos sucumbido ao conformismo e, assim, dado nossa aprovação silenciosa a tudo aquilo que hoje nos enche de vergonha e que não sabemos explicar honestamente aos nossos filhos." Portanto, quando pensamos que temos uma idéia, na verdade são as idéias que nos têm. Faço essa colocação para que você entenda que muitas vezes somos hospedeiros de idéias, opiniões ou crenças nem sempre benéficas a nós, mas vantajosas a elas mesmas. E assim elas passam a formar nossa sombra. Quanto mais felicidade e criatividade adquirimos na vida, mais a sombra aumenta. Quanto mais luz, mais sombra e escuridão. Todos os gênios da humanidade tiveram sombras muito fortes. Quanto mais luminosa a personalidade consciente, maior a sombra. Portanto, não projete sua sombra em outro. Perceba essas projeções, uma limitação sua. Muitos pais se projetam nos filhos, exigindo aspectos de perfeição que eles mesmos não tiveram na vida. Há pessoas que trabalham com o chamado pensamento positivo. Mentalizam: "isso é positivo, isso é positivo, isso é positivo" ou "eu sou luz, eu sou luz, eu sou luz" ou "sucesso, sucesso, eu tenho sucesso". Trabalhar assim com a mente pode ser benéfico, mas por um período pequeno de tempo. Achar que tudo é positivo pode fazer com que neguemos nossa própria sombra e os aspectos egoístas e perversos. Os que não têm essa válvula de escape para colocar para fora tudo o que é negatividade, fazendo uso de atitudes bem-humoradas, das brincadeiras, do lúdico, do prazer e principalmente da forma de interpretar situações difíceis com bom humor, possuem a sombra reprimida, o que gera sentimentos exagerados de posse em relação aos outros. Alguns espiritualistas teóricos e religiosos intolerantes têm um discurso cheio de palavras lindas como amor incondicional e fraternidade, mas só na teoria. Não amam nem uma pessoa, quanto mais todos, incondicionalmente. Escondem a pior de todas as sombras - o fanatismo religioso, a intolerância com os companheiros de crenças diferentes. O filme francês “O oitavo dia”, é sobre um motivador de comportamentos positivos. Conheço motivadores e religiosos que não se auto-investigam e, inconscientemente, tentam passar aspectos positivos para a vida de seus seguidores. Contudo, suas palavras são agressivas, duras e inflexíveis, notam-se neles atitudes e gestos treinados, decorados, nada espontâneos ou que venham do coração. O suposto sucesso que atingem ocorre porque seu público é formado de pessoas iludidas que gostam de dor e humilhação. Além, claro, das promessas de soluções rápidas e fáceis. Nossa luz e nossa sombra criam contradições em nossa alma. Qual caminho seguir? O que eu quero ou o que os outros querem de mim? Todas essas dúvidas nos remetem ao nosso lado sombra, já que é ele que detém todas as chaves de nosso auto­conhecimento, todos os nossos segredos. Mas é bom não confundir a sombra com o ego negativo. Enquanto a sombra faz parte do ser real, pois nos faz olhar para nosso íntimo e nos descobrir na totalidade, o ego negativo é o ser idealizado e aquele que diz: "Não seja autêntico, seja aceitável". "Não se exceda, seja medíocre, seja normal." O ego muitas vezes nos ilude, mente, enquanto a sombra nos coloca diante da própria verdade porque ela sempre esteve conosco, desde o nascimento. E como sempre esteve conosco, ela se constitui de tudo aquilo que insistimos em negar e desconsiderar ou daquilo que nos recusamos a aceitar em nós mesmos. Não agimos assim porque queremos, mas porque desde criança tivemos que nos adaptar para sobreviver. E fomos ensinados a esconder não somente coisas escuras, feias, que a sociedade diz que são pecaminosas, terríveis, imorais, mas também as coisas boas, por causa das mensagens que recebemos: "Não seja curioso"; "não seja tão honesto"; "não viva tão em contato com seus sentimentos"; "não seja tão criativo"; "não seja tão sonhador"... E assim fomos ensinados a construir nossa "auto-estima". Por isso o lado sombra é tão rico. E é, somente penetrando na própria escuridão, que você poderá transformar-se, poderá transitar da antiga para a nova forma, livrando-se de seus temores e vergonhas, fracassos e dores. E, somente assim, poderá descobrir sua verdadeira força, seu poder, seus talentos e... sua alma. Para sua reflexão, observe esta lista de valores paradoxais: Valores que provavelmente você deseja de coração Valores que a família, a religião e a sociedade exigem de você. Sucesso Humildade Gula Jejum / Moderação Alegria Dor (crescemos num momento de dor) Facilidade Sacrifício e Dificuldades Sexo Celibato / Monogamia Dinheiro Pobreza (nos leva para o céu) Felicidade na terra Felicidade nos céus Trabalhar é prazer Trabalhar é obrigação Não fazer nada Sempre fazer algo Dizer não Dizer sim Ter privacidade Deixar-se invadir Eu sou o mais importante O outro é o mais importante Eu me amo Amo o próximo Ter liberdade Obedecer às autoridades e aos mais velhos. mais velhos O último pedaço de pizza é meu O último pedaço de pizza é seu Falo o que quero Sou bonzinho para agradar Tenho os meus desejos Criança não tem querer Gasto muito agora Economizo para o futuro Aventura Segurança Eu me trato da melhor maneira Trato as visitas melhor que a mim Faço o que quero Obedeço Dormir até tarde Acordar cedo (Deus ajuda quem cedo madruga ) Ir ao parque de diversões Ir ao culto Reter matéria Dar ( vender tudo para doar aos pobres ) Possuir para gastar Dar tudo aos necessitados E agora? Qual é o seu caminho? Tudo tão contraditório, não é? O que é o bem o que é o mal? Luz? Sombra? Certo? Errado? Não existem respostas para essas questões, tudo é relativo, graças a Deus! Senão, qual o sentido de viver? O que é bom para você pode não ser para os outros e vice-versa. Jung escreveu: "A triste verdade é que a vida humana consiste num complexo de opostos inseparáveis. Dia e noite, nascimento e morte, felicidade e miséria, bem e mal. Nem sequer estamos certos de que o bem superará o mal ou a alegria derrotará a dor." Reflexão Que tal encontrar um equilíbrio relativo entre aquilo que seu coração anseia e o que os outros desejam? Faça uma lista de manifestações de sua sombra. Isso tudo que nega em si mesmo o inspirará a conhecer-se melhor - você é assim. Enumere três atitudes que odeia que tomem com você. Será que você também não se trata assim? Um exercício muito interessante para trabalhar com a sombra é socar um travesseiro enquanto gritamos com ele. Existem rituais de transformação nos quais, por exemplo, escrevemos em pequenos pedaços de papel algumas palavras e pensamentos perversos que estão pulsando na sombra e depois os queimamos. Seria algo como o sacrifício da própria sombra. Outra maneira de também lidar com essa sombra é dançar, expressando na dança movimentos de empurrão ou socos, como se estivesse soltando alguma coisa dentro de si. Criatividade em todas as suas manifestações também "desreprimem" a sombra. O importante é não se reprimir. Mas também não tenha a intenção de cortar o mal pela raiz. É impossível cortar o mal, pois ele é uma parte de nós mesmos. Lembre-se de que é preciso olhar para "nosso mal", para nossa sombra e reconhecê-la. Crianças que presenciam brigas entre os familiares ou situações limitadíssimas na vida, como fome, pobreza, analfabetismo, e a falta dos pais, expressam essas contrariedades em desenhos, o que é extremamente importante. A sombra reprimida demasiadamente pode voltar-se contra nós, gerando vícios, autoflagelação, nervos à flor da pele, etc. Tenha coragem de se olhar para curar a própria sombra e não se sentir tão marcado pela vida, a ponto de não mais querer a felicidade. Sempre medite nisso, na coragem para olhar sua sombra, olhar seus conteúdos, nem sempre nobres. "Quando as pessoas chamam uma coisa de bela, Vêem outra coisa como feia. Chamando outra coisa de boa, Seu contrário se torna mau. Porém, ter e não ter produzem um do outro. Difícil e fácil se equilibram, Longo e curto se completam, Alto e baixo dependem um do outro, Altura e tom formam juntos a harmonia, Começo e fim se sucedem." Tão Te King No livro “ao encontro com a sombra” Ed. Cultrix De Connie zweig e J. Abrams. Temos uma reflexão profunda sobre os benefícios de aceitarmos ou reconhecermos (consciência) nossas sombras. A aceitação da sombra O objetivo de encontrar a sombra é desenvolver um relacionamento progressivo com ela e expandir o nosso senso do eu alcançando o equilíbrio entre a unilateralidade das nossas atitudes conscientes e as nossas profundezas inconscientes. O romancista Tom Robbins diz: "O propósito de encontrar a sombra é estar no lugar certo da maneira certa." Quando mantemos um relacionamento adequado com ele, o inconsciente não é um monstro demoníaco; diz-nos Jung: "Ele só se torna perigoso quando a atenção consciente que lhe dedicamos é desesperadoramente errada." Um relacionamento correto com a sombra nos oferece um presente valioso: leva-nos ao reencontro de nossas potencialidades enterradas. Através do trabalho com a sombra (expressão que cunhamos para nos referir ao esforço continuado no sentido de desenvolver um relacionamento criativo com a sombra), podemos: chegar a uma auto-aceitação mais genuína, baseada num conhecimento mais completo de quem realmente somos; desativar as emoções negativas que irrompem inesperadamente na nossa vida cotidiana; nos sentir mais livres da culpa e da vergonha associadas aos nossos senti­mentos e atos negativos; reconhecer as projeções que matizam as opiniões que formamos sobre os outros; curar nossos relacionamentos através de um auto-exame mais honesto e de uma comunicação direta; e usar a nossa imaginação criativa (através de sonhos, desenhos, escrita e rituais) para aceitar o nosso eu reprimido. Talvez... talvez também possamos, desse modo, evitar acrescentar nossa sombra pessoal à densidade da sombra coletiva. A analista junguiana e astróloga britânica Liz Greene mostra a natureza paradoxal da sombra enquanto receptáculo de escuridão e facho de luz. "O lado sofredor e aleijado da nossa personalidade é aquela sombra escura e imutável, mas também é o redentor que poderá transformar nossa vida e alterar nossos valores. O redentor tem condições de encontrar o tesouro oculto, conquistar a princesa e derrotar o dragão... pois ele está, de algum modo, marcado - ele é anormal. A sombra é, ao mesmo tempo, aquela coisa horrível que precisa de redenção e o sofrido salvador que pode redimi-la." Autor: Otávio Leal http://www.humaniversidade.com.br/boletins/encontro_com_sombra.htm

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Perdoai-os, eles não sabem o que fazem.´É incrível como esta frase serve para todos, em todos os lugares, de todas as religiões, de todas as raças, culturas, de todos os níveis sociais. É só olhar pra fora, para a violência. É só olhar para dentro, numa realista autoavaliação. É só olhar para os erros cometidos. É só olhar para os limites de nós mesmos. É só olhar para a arrogância, para a sombra embaixo do tapete. Se soubéssemos mesmo o que fazemos, se tivéssemos mesmo um profundo autoconhecimento, o mundo estaria em paz. Então, pedir perdão, reconhecer que pouco sabemos, é o primeiro passo para a transformação.

domingo, 25 de novembro de 2012

Joseph Campbell, o mitólogo indispensável.

Se você ainda não leu Joseph Campbell (1904-1987), não sabe o que está perdendo. Campbell investigou, ao longo de toda sua vida, a evolução das religiões. Na obra As máscaras de Deus, dividida em 4 volumes - Mitologia primitiva, Mitologia oriental, Mitologia ocidental e Mitologia criativa - o pesquisador conta como nasceram os mitos que deram origem a religiões em todo o mundo. Aponta semelhanças, mostra o lado oculto e desvela as metáforas das histórias mitológicas, mas principalmente indica às mentes estreitas que os mitos tendem a se tornar História, o que é Campbell conta sobre um trecho do livro sagrado do budismo, onde Buda estica uma das mãos e de cada dedo sai um tigre que ataca seus inimigos. Se estivesse na Bíblia, esse mesmo trecho tendo Jesus Cristo como protagonista, os crentes iriam jurar de pés juntos que foi desse jeito que aconteceu. Como disse Alan Watts (Myth and ritual in Christianity): “O Cristianismo foi interpretado por uma hierarquia ortodoxa que degradou o mito até convertê-lo em ciência e história. [...] Porque quando o mito é confundido com história, ele deixa de aplicar-se à vida interior do homem.” Campbell diz que em todo Oriente prevalece a idéia de que o último plano da existência é algo além do nosso pensamento e nosso entendimento. Sendo assim, podemos acreditar no mistério mas não racionalizar ou querer situá-lo histórica e geograficamente. Lá não há o culto como conhecemos no Ocidente. Linhas de pensamento religioso orientais são: “Saber é não saber, não saber é saber” (Upanishad). “Isto és tu” (Vedas). “Os que sabem permanecem quietos” (Tao Te King). Chegar ao outro lado da margem do pensamento para encontrar paz e bem-estar é a finalidade do mito oriental. No mito ocidental existe sempre um criador e uma criatura e os dois não são o mesmo – estão sempre em conflito e sempre há alguém ou algo a atrapalhar, incomodar: um diabo, um extraviado da criação. Diante da pouca importância que o homem tem diante de um Deus tão exigente, ele deve se ajoelhar e servir e não questionar e obedecer a parâmetros sempre ditados por alguma instituição, uma igreja, uma denominação. É uma religião de subserviência, cuja gestão é o conflito e o terrorismo psicológico. Para Campbell, as grandes metáforas das religiões não podem ser entendidas como realidade e não podem atrapalhar o avanço científico da sociedade; não podem interferir na paz entre países, nem em angústias para as pessoas; não podem restringir o direito de amar – ora vejam! –, nem provocar ódio. As grandes metáforas das religiões deveriam ser poesias para os ouvidos – mas ninguém quer saber de poesia!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

No Centro

Só me importa o centro de onde eu enxergo além de todas as ilusões que criei sobre mim Além de todas as polaridades em que vicei a minha mente Além de todos os meus egocentrismos em que me habituei a me conduzir Além de todo sentimento de separatividade com que lidei com todos os seres deste planeta Além do véu em que me revesti Além das verdades que teimei em afirmar Além das mágoas que me deixei sentir e que fiz aos outros sentir Além dos medos que abalaram minha fé no Criador Além da preguiça que me fez recusar ajuda a quem precisava Além da arrogância que me fez me sentir muitas vezes superior Além da ignorância que me fez me sentir inferior Além da petulância de querer explicar o Ser Superior Além da soberba que me fez querer falar algo de concreto sobre o Grande Mistério Além dos desejos que me afastam da verdadeira Vida Além dos sofrimentos que eu mesmo causei a mim Além da imbecilidade de chamar de inimigo alguém mais do que minhas próprias limitações Além do absurdo de não confiar plenamente no Grande Espírito Além da ingratidão por ter a oportunidade de estar aqui, agora Grato Senhor, Grato Senhora, Grato por Tudo Pois tudo e todos são sagrados No Centro Assim É

Guerreiros da Paz