terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Raízes

Tenho pai, tenho mães, minhas raízes são o povo da Terra de Tupã, o povo da África e dos Orixás e das caravelas europeias cristãs. Aqui cruzaram a terra e os mares no fogo antropofágico que cozinha um novo tempo na alteridade universal.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O Sagrado

Não existe nenhum templo sagrado, nenhuma terra sagrada, nenhum povo especial. O único templo e local sagrado está no interior de todos nós.Toda forma de preconceito é lesa humanidade e religiosos que o praticam são os piores anticristos. Para alguns Jesus é um mito, para bilhões é Deus encarnado, para outros como eu é o Grande Mestre, que se cristificou, ou se budificou, ou se iluminou, ou seja, saiu da Matrix. Os Grandes Mestres vêm e depois que se vão criam-se religiões deturpadas que sacralizam aquilo que ele não disse e deturpam todos os seus ensinamentos.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Natureza x Concreto

A civilização como tudo tem o seu lado bom e seu lado ruim. Um dos lados mais perversos é nos deixar levar pela vaidade, orgulho e prepotência que permeia a competitividade excessiva. A simplicidade, que se espalha pela natureza, perde seu lugar para a soberba de uma concretude ilusória, pretensamente perspicaz e sabida. Acostumamo-nos de tal modo à velocidade de informações e pensamentos, que a quietude e o silêncio ou os sons das espécies de pássaros, animais, insetos, cachoeiras, vento, ondas do mar... passaram a ser elementos exóticos e estranhos. Perdemos o contato com a natureza e, ao mesmo tempo, com nós mesmos, com nosso interior, com nossa vontade de auto-conhecimento. Alienados de nossas camadas mais profundas, alimentamo-nos da superficialidade, seja real ou virtual, nos escritórios e nas ruas ou na internet. O modo de ser que nos implica a civilização e o sistema, tornou-nos alienados do "quem sou eu".

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Os hippies e os beats..e agora?

Na década de 1950, surgiu, nos Estados Unidos, um dos primeiros movimentos da contracultura: a Beat Generation (Geração Beat). Os Beats eram jovens intelectuais, principalmente artistas e escritores, que contestavam o consumismo e o otimismo do pós-guerra americano, o anticomunismo que havia se generalizado e a falta de pensamento crítico. Na década de 1960, surgiu na França e logo conquistou os EUA o mais influente movimento de contracultura já existente: o movimento hippie. Os hippies se opunham radicalmente aos valores culturais considerados importantes na sociedade: o trabalho, o consumismo, o patriotismo e nacionalismo, a ascensão social e até mesmo a "estética padrão". Era a contracultura, a rebeldia, o enfrentamento da ordem existente, um movimento de esquerda, anárquico, não violento fisicamente, mas de potência esmagadora, tanto que a partir daí o mundo entrou numa nova esfera, com novos comportamentos libertários jamais vistos. Depois, aos poucos, o movimento foi sendo absorvido pela indústria e se tornou um modismo apenas, mas suas marcas ficaram e produziram avanços que seriam impossíveis sem os beats e os hippies. Contudo, de lá pra cá, sentimos sim um grande hiato, um grande vazio, uma carência enorme de novidades contundentes, que deem uma nova sacudida na sociedade.

Flor de Lótus

domingo, 22 de outubro de 2017

Viagem à Terra.

Venho de muito longe, não sabia nada daqui, só sabia que seria uma experiência muito difícil por ter que lidar com o novo e inesperado, com toda sorte de sentimentos e forçar minha mente para tentar compreender o jamais visto por mim. Desconhecia completamente as relações humanas por aqui, como se davam, por que se davam, no quê se inspiravam, no quê era ou não estimulante para seres tão iguais e tão diferentes entre si. Ah, como foi duro entender, um processo lento, vagaroso, passo a passo, com muitas nuances de dor e de uma alegria nunca tocada. Tropecei, ah como tropecei, caí e morri tantas vezes neste processo, e agora na maturidade plena, despertam algumas respostas, mas há tanto a descobrir. Acostumei-me nos últimos tempos a viver equilibrando-me numa corda suspensa entre montanhas, entre as polaridades da vida e da morte, do desejo de partir e do ficar para realizar alguns sonhos. Senti medo, muito medo, ainda sinto. Não me lembro do contrato que assinei para as experiências nesta jornada, das cláusulas que permanecem para mim desconhecidas, só vislumbro numa leve intuição de algum acordo que devo ter feito para aprender neste planeta o que jamais aprenderia em outro lugar. Ao vir para cá assumi um passado nesta Terra que passou a ser meu, mesmo que aqui não vivido, o passado de todos os povos de todos os tempos que caminharam nestas paradas pelos quatro cantos do mundo. Uma longa jornada que se incorporou aos meus corpos, que me passou o dever de compreendê-la e vivê-la em toda sua extensão. Da floresta às grandes cidades, da roda às tecnologias modernas na era da informática, do tacape à bomba atômica e de hidrogênio, tudo foi se incorporando em mim. Todas as formas de religiosidade, de ciência, filosofia, topas as vivências em culturas as mais díspares, todas as profissões, todas as condições sociais, todos os sistemas, do tribal, do feudo ao capitalismo contemporâneo. Do mágico ao mecânico, da alquimia a Newton, Einstein e a física quântica. De alguns milhões a mais de 7 bilhões de habitantes. Passei a experimentar em mim um pouco de tudo. De amor, ódio, coragem, covardia, fraqueza, força, inveja, sucesso, fracasso, fé e ceticismo, mas para falar a verdade, muito mais fé do que ceticismo, pois algo em mim permaneceu forte em relação à certeza do divino que está em tudo e em todos; mas, apesar desta convicção, ela sempre necessitou ser muito mais forte do que até hoje tem sido. Para mim, o medo é o meu maior problema, introjetei-o de maneira profunda, desde o início, por isso acho que, na verdade, ele nasceu antes, à altura do contrato para a minha vinda, relutante. Se hoje eu sei que minha acasa original não é aqui, tenho que aprender que minha casa verdadeira é onde eu estiver no espaço-tempo e somente um dia além dele, à origem primeira. O ego, que hoje eu sei e vim aprender aqui a experimentá-lo intensamente, pouco importa diante do Eu Superior que habita em todos nós e que nosso maior dever na evolução é despertar essa consciência. Aliás, esse é o único propósito de tudo isso. A viagem prossegue por aqui, não sei até quando.